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27/maio/2008 por Gabi Loeblein

Sei que fiquei um tempo sem postar e que se não fosse a Renata esse blog ia ser um marasmo. Mas aqui estou eu de novo! E com um post mais do que especial. Dêem uma conferida na entrevista que fiz com o estilista Lino Villaventura durante o Moda Insights:

Comemorando 30 anos de carreira, o estilista Lino Villaventura foi uma das principais atrações do Moda Insights, evento que reuniu importantes nomes da área da moda em palestras na Feevale, em Novo Hamburgo, na última semana. Conhecido pelos materiais peculiares com que confecciona suas peças, como escamas de peixe, borbados e aplicações de cristais, o artista mostrou porque permanece até hoje entre os maiores nomes da moda brasileira, mesmo sem ter feito qualquer curso preparatório. “Quando comecei já tinha a mesma postura. Sempre acreditei que meu trabalho era bom e que as pessoas tinham que fazer para merecê-lo. Sou simpático, mas sou metido também”, brincou.
Sobre o processo de criação, ele também deixou a modéstia de lado e contou como faz coleções tão elaboradas. “Sabia que a questão é como você trata certos materiais. Isso que é importante, isso que valoriza.”

Tu achas que a mulher tem que ter atitude para vestir tuas roupas?

Tem que ter vontade de usar. Não sei qual seria a atitude. A pessoa escolhe o que quer usar para se expressar. A roupa é feita na verdade para seduzir. Então você se expressa na maneira com que você se veste. Se você for uma pessoa não tão vaidosa, que não liga muito para esse tipo de coisa, você tem que ter outros atrativos. (…) As pessoas imaginam que no meu trabalho as roupas são todas enlouquecidas demais e nem são na verdade. Elas são muito sensuais. São muito bem feitas, na verdade.

Tu vieste falar para os jovens estilistas aqui na Feevale. Como é passar esta experiência de 30 anos para os novos talentos?

Vou falar o que acho que deve ser falado. Essa história de curso de estilismo eu acho incrível. Todo mundo quer ser estilista. Imagine, o número de cursos no Brasil é absurda! Todo o lugar que você possa imaginar tem curso de estilismo, cheio de alunos e pessoas querendo fazer. Mas tem uma história aí… Não sei até que ponto as pessoas estão indo pro curso por gostar do que é o trabalho ou por buscar sucesso e reconhecimento pessoal daquilo, o que nao é bem assim. Acho que você tem que ir para onde que você gosta. Essa coisa desse boom eu acho meio preocupante. Pode dar uma incrível frustração quando você entra no curso e não era o que você imaginava. Mas existem várias segmentações que você pode seguir e o mercado precisa disso.

Tu foste um dos primeiros estilistas a levar o trabalho para fora do País. Como tu achas que está o mercado lá fora para o pessoal que trabalha com moda aqui no Brasil?

Há muito interesse. Existe um mercado aberto, mas você tem que ter extrema responsabilidade nisso, de cumprir os prazos, manter as qualidade do produto, porque isso é meio complicado. Eles têm uma impressão ruim nisso de certas irresponsabilidades. Tem que ter identidade para você ganhar o mercado, ter a diferenca. Fazer o que estão fazendo lá não adianta. Eu acho que tem interesse sim e eu estou sentindo isso sempre.

FOTO: Gabriela Loeblein

One Response

  1. Preparados para o Oi Fashion Rocks? | Says:

    [...] estão confirmados osdesfiles de Marc Jacobs, Versace, Givenchy, Calvin Klein, e dos brasileiros Lino Villaventura, André Lima (já entrevistei esses dois, sorry…), Lenny Niemeyer e Alexandre Herchcovitch. [...]

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